Representatividade da mulher na economia é tema de debate

Edson Júnior

 

“Uma economista pode fazer qualquer coisa que um economista pode fazer”, afirma Priscilla Tavares, docente da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para apresentar o curso de economia e discutir desigualdade de gênero dentro da área, uma parceria entre o Centro Acadêmico Visconde Cairu (CAVC FEA USP), o Diretório Acadêmico da FGV e o Diretório Acadêmico do Insper reuniu alunas e professoras das três faculdades no dia 15 de outubro. O evento "Economia: de Mulheres para Mulheres" foi voltado para jovens alunas de cursinhos e escolas do ensino público e privado. 

 

Uma dinâmica perguntou às meninas “em quais setores uma economista pode atuar?”, usando a plataforma Menti para gerar um quadro com as respostas mais comentadas. Sobre o termo mais escolhido – “mercado financeiro” –, Priscilla destacou que há um pensamento comum de que economistas só trabalham nesse setor, enquanto, na verdade,  há muitas outras opções. Deu o exemplo das políticas públicas, em que o profissional deve “entender se os objetivos de determinado programa ou política governamental foram atingidos” ou até analisar se vale a pena investir em tal programa.


 

A outra pergunta foi “por que ainda é uma profissão masculinizada?”. Comentando respostas que destacavam o estigma de que mulheres não têm êxito em matérias de ciências exatas, a docente da FEAUSP, Paula Carvalho, pontuou que não existem teorias científicas que comprovam tal fato. Mas explicou que há teorias de normas sociais, as quais tratam da criação social de mulheres, muitas vezes menos estimuladas a entrarem em carreiras competitivas, a exemplo da economia.


 

Trazendo uma visão dos graduandos, Lívia Haddad, aluna da FGV, afirmou que estereótipos de que homens sabem mais de exatas também são reforçados dentro de sala de aula. Pontuou que é importante incentivar mais mulheres a fazerem vestibular para o curso a fim de criar um ambiente mais diverso. Disse ainda que falta um olhar voltado às questões de gênero nos debates das aulas.

 

Carolina da Costa, que atualmente atua no mercado financeiro, falou sobre a representatividade no mercado de trabalho: disse que os CEOs das empresas devem se atentar à diversidade nas equipes e que, por se tratar de um meio ainda majoritariamente masculino, as mulheres devem se apoiar. Também comentou que as gerações mais novas estão entrando no mercado com cabeça mais aberta e mais conscientes.

 

Num momento de apresentações dos cursos das três faculdades, Priscilla Tavares pontuou que ainda acontece o manterrupting no meio acadêmico. O termo se refere a quando homens interrompem as falas de mulheres ou explicam novamente a mesma coisa já dita por elas. As participantes comentaram situações desse gênero que presenciaram, tanto em aulas quanto em empresas. 

 

Dando um panorama do mercado de trabalho da área de economia, Carolina disse que atualmente se valoriza muito as habilidades socioemocionais, em que uma das formas de adquiri-las é por meio de entidades e extensões universitárias para além da sala de aula. Para ela, a cooperação entre alunos e professores gera conhecimento e é de grande valor para a formação estudantil.

 

Já sobre o mercado financeiro, Carolina afirma que, para atuar nele, é necessária uma visão sobre a conjuntura econômica atual, com foco em quais áreas estão se desenvolvendo mais. Também destaca que é um setor que está num momento de “franca expansão e desenvolvimento em agenda sustentável e eticamente responsável”. Diz que os profissionais atuais devem ser atentos à cooperação e que as mulheres têm muito o que contribuir.

 

 

Data do Conteúdo: 
Domingo, 25 Outubro, 2020

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