Pandemia afeta a educação contábil em diferentes países

Por Pedro Ferreira

 

Os desafios surgidos com a pandemia para o ensino contábil não foram muito diferentes entre os países. No Brasil, as aulas remotas trouxeram uma dificuldade inicial com o uso das novas tecnologias. Já na Colômbia, a preocupação dos professores em relação à interação com os alunos, a sobrecarga de trabalho, o sedentarismo e a deterioração da saúde mental foram alguns dos obstáculos. No Reino Unido, as aulas remotas evidenciaram as desigualdades sociais por conta da falta de internet e as dificuldades para acompanhamento das aulas no ambiente domiciliar.

 

O tema "Educação contábil durante a pandemia: insights de uma crise em curso para a América Latina" foi debatido no inicio de setembro, durante webinar organizada pela Rede QRCA e o Núcleo FEA de Pesquisa e Extensão em Gênero, Raça e Sexualidade (Generas). O encontro foi um acompanhamento do artigo “Insights into accounting education in a COVID-19 world”, de autoria dos professores Greg Stoner, da Universidade de Glasgow (Reino Unido), Alan Sangster, da Universidade de Aberdeen (Reino Unido), e Barbara Flood, da DCU Business School (República da Irlanda). Este ano, o artigo recebeu o prêmio da Associação Americana de Contabilidade (AAA) TLC Outstanding Accounting Education Research Award.

 

Além do professor Stoner, o painel contou com a participação de pesquisadores representantes de diversos países: Gabriela María Farías Martínez, do México; Natalia Cuadra Palma e Osvaldo Maldonado Segovia, do Chile; Inés García Fronti e Oscar Fernández, da Argentina; Cláudio Wanderley e Kate E. Horton, representando o Brasil, e Mary Anali Vera Colina e Ruth Alejandra Patiño Jacinto, da Colômbia. O evento ocorreu em inglês, espanhol e português, com traduções simultâneas e legendas automáticas.

 

O encontro teve início com apresentações sobre o cenário da educação contábil em cada país e os desafios surgidos a partir da pandemia de Covid-19. Os professores Wanderley e Kate comentaram as crises econômica, política e sanitária pelas quais o Brasil passa e o impacto delas na educação. As aulas remotas trouxeram uma dificuldade inicial com o uso de novas tecnologias por alunos e professores, mas possibilitaram algumas vantagens, como o aumento da presença nas aulas e a adesão a plataformas mais interativas. Wanderley comentou que o “jeitinho brasileiro” permitiu que os professores encontrassem soluções criativas para os problemas que surgiram.

 

As professoras Mary e Ruth comentaram a situação colombiana. As aulas à distância se apresentaram com diversos obstáculos: a preocupação dos professores com a interação com os alunos, a sobrecarga de trabalho, o sedentarismo, a deterioração da saúde mental e os ambientes não adaptados para os encontros virtuais. Elas contaram que, para contornar essas dificuldades, os professores fizeram pesquisas para entender a realidade dos alunos, adotaram diferentes estratégias de aprendizado e buscaram aulas com um dinamismo maior. Porém também encontraram vantagens, como a diminuição do tempo e custo com transporte e a possibilidade de convidar professores de outras instituições para participarem das aulas.

 

O professor Stoner abordou como a pandemia tornou ainda mais evidentes as desigualdades sociais. Os problemas técnicos, a falta de internet e o ambiente domiciliar desafiador para o acompanhamento das aulas foram muito presentes e causaram estresse e burnout entre alunos e professores. Comentando sobre a forma de avaliação dos alunos durante a pandemia, Stoner afirmou avaliar como os estudantes aplicam o conhecimento científico no cotidiano profissional, e não a mimetização do conteúdo passado em aula.

 

Os painelistas também abordaram as ações institucionais envolvendo saúde mental durante o período de isolamento. A questão dos alunos com câmeras desligadas durante as aulas foi amplamente discutida, com o sentimento de solidão dos professores nesse cenário junto à necessidade de respeito à privacidade dos alunos. A professora Silvia Casa Nova, do grupo Generas, comentou sobre a criação de um escritório destinado à saúde mental dos estudantes da USP e a promoção de encontros que discutem o tema entre professores e alunos.


 

Data do Conteúdo: 
Quarta-feira, 8 Setembro, 2021

Departamento:

Sugira uma notícia