Imagem negativa do Brasil no exterior pode afetar investimentos

César Costa

Para falar sobre a macroeconomia brasileira, a Liga de Mercado Financeiro da FEA trouxe dois convidados de grande reputação: Candido Bracher, CEO do Itaú Unibanco, e José Olympio Pereira, CEO do Credit Suisse Brasil. Em um dos vários tópicos discutidos durante o evento, ambos concordaram que o Brasil não está sendo visto com bons olhos na comunidade internacional, principalmente devido à atuação de algumas áreas do governo como meio ambiente e saúde. 

O evento denominado Economia na Mesa ocorre anualmente desde 2014 e teve sua primeira edição online devido à situação global de pandemia. O mediador da conversa foi Álvaro Campos, jornalista do Valor Econômico.

A conversa passou por temáticas como economia, política e, também, foram abordadas as ações dos bancos durante esse período inédito vivido por todo o mundo. 

O primeiro assunto levantado foram questões relacionadas ao PIB do Brasil. Com uma estimativa de regressão de 6,5%, os dois convidados concordaram que possuem visões parecidas. 

Bracher afirmou que o Itaú já desistiu de buscar um número preciso, porém, fizeram uma matriz com o intuito de estimar o pico da crise e identificar uma possível velocidade de retomada. “Quanto à forma da retomada, ainda é muito prematuro para falar. Dependemos do grau de confiança que seremos capazes de infundir nos investidores em geral e as taxas de juros”. 

Seguindo a mesma linha, Pereira também não acredita na criação de uma estimativa precisa da recessão e que a matriz é uma boa solução. E, pensando na retomada, o CEO vê com bons olhos a participação do setor privado: “O que vai impulsionar essa retomada é uma necessidade enorme em infraestrutura. É preciso fazer um programa maciço. E acho que deva ser o capital privado, em especial, no saneamento”. 

Questões políticas

Ambos também demonstraram bastante preocupação com a visão internacional que outros países têm sobre o Brasil. Pensando na possibilidade de trazer investimentos estrangeiros, Pereira acredita que está sendo criado um ruído na comunidade internacional, prejudicando a imagem do Brasil: “Os jornais e manchetes só noticiavam negatividades do país. É preciso fazer um trabalho para melhorar nossa imagem”. Mas, por outro lado, sente a área da economia num outro momento, sendo ela bem vista. 

Ainda sobre o governo, Bracher focou suas críticas mais nas questões de saúde. Na sua opinião, o Brasil, de maneira geral, tem sido ineficiente no combate à pandemia. “Não sou especialista em saúde. No entanto, tem havido desacordo entre as esferas de governo. Os esforços de quarentena têm sido menos eficazes do que deveriam ser” analisou. E finalizou: “Me aflige essa falta de informação que o Brasil navega hoje em dia”. 

A atuação dos bancos 

O último tópico abordado, antes de serem abertas para as perguntas do público, foi a atividade bancária. Num cenário inédito de pandemia, tanto o CEO do Itaú quanto do Credit Suisse Brasil priorizaram seus colaboradores e clientes.

Bracher indicou que primeira preocupação do banco foi manter o atendimento. Ele disse que foi preciso proteger seus funcionários para que eles tivessem tranquilidade e seguissem atendendo os clientes: “Nós temos a maioria (dos trabalhadores) em home office. No início da crise, aqueles que estavam em grupo de risco já foram encaminhados para casa. Não expusemos nenhum funcionário. Nós também antecipamos o décimo terceiro. Em primeiro lugar, é preciso cuidar das pessoas”. 

Pereira teve preocupação com os mesmos grupos. Ele contou que a empresa migrou mais de 80% da força de trabalho para o home office. E ainda foi surpreendido com o alto nível de produtividade. “As conversas são mais organizadas, tudo é mais objetivo”.

Em relação aos clientes, o executivo do Credit Suisse afirmou que o foco é manter proximidade e ajudá-los a atravessar o período de crise. Na prática, considerou importante aumentar a informação disponível a eles: Temos trazido pessoas e fazemos lives diárias porque sentimos que nossos clientes queriam informação de qualidade”. 

Sobre a Liga de Mercado Financeiro da FEA

A Liga de Mercado Financeiro da FEAUSP é a primeira entidade de finanças do Brasil, surgindo em 2007 com o objetivo de aproximar os estudantes da FEA com mercado financeiro. Desde 2014, o Economia na Mesa é o maior evento de economia universitário e já contou com a presença de figuras importantes como Ilan Goldfajn, Pérsio Arida, Marcos Lisboa, André Lara Resende, Roberto Sallouti e Sérgio Rial.

 

 

 

Data do Conteúdo: 
segunda-feira, 15 Junho, 2020

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