Como ficam as entidades da FEA durante a pandemia?

Mesmo com a quarentena, houve trabalho de sobra para as entidades estudantis da FEA, mas elas tiveram de passar por processos de adaptação para manter suas atividades. O Gente da FEA entrevistou dirigentes do Centro Acadêmico Visconde Cairu, do Cursinho da FEA e da Associação Acadêmica Atlética Visconde de Cairu (AAAVC) para entender como eles têm conseguido se manter e o que têm feito durante este período.

O CAVC teve de adaptar a forma como faziam as suas reuniões, que passaram a ser online, e torná-las mais animadas de modo a incentivar os calouros a participarem. Bernardo Santana, presidente da entidade, conta que colheram bons resultados dos eventos que realizaram de maneira remota, mas que, agora no final do ano, tentam diminuir o número de lives, por entender que as pessoas estão cansadas de passar tanto tempo interagindo por meio de telas.

Um decreto outorgado pelo Governo Federal permitiu, devido à pandemia, que associações prolongassem em até sete meses suas diretorias atuais. Dessa maneira, o CAVC convocou uma assembleia e um plebiscito online e decidiu-se que as eleições para a direção do Centro Acadêmico seriam adiadas até o primeiro semestre de 2021. Ainda, as aulas do curso de idiomas do CAVC tiveram de ser transpostas para formas de ensino remoto e precisou-se investir e aprender mais sobre marketing digital, já que antes os meios de divulgação dos cursos eram focados no presencial. Apesar das mudanças, o CAVC Idiomas continuou recebendo feedbacks positivos de seus estudantes.

O Centro Acadêmico tem mantido a Vivência e o pagamento de funcionários que dele dependem, empreendendo quatro iniciativas que, juntas, conseguiram arrecadar cerca de 23 mil reais. As primeiras foram um saldão de produtos a preço de custo para moradores do CRUSP e uma rifa. Depois, uma campanha de doação com algumas recompensas. A última iniciativa foi o oferecimento de cursos em parceria com outras entidades da FEA, que contou com mais de 250 inscritos. Bernardo conclui: "cuidar daquele espaço [é responsabilidade] de todos os alunos e de todo mundo que usufrui dele!"

Sobre o Cursinho da FEA, Juliana Stabile, Marco Silva, Guilherme Dobon e Ruth di Rada, coordenadores da entidade, contam que, com a confirmação do primeira caso de infecção pelo novo coronavírus na USP, decidiu-se inicialmente pela paralisação das aulas. Depois, elas foram retomadas por meio de plataformas online. A partir daí o Cursinho teve de se desafiar para que os alunos se sentissem pertencentes a uma comunidade e garantir que todos os estudantes tivessem acesso a internet estável em suas casas.

   Aula do cursinho da FEA
 

Durante esse período, o Cursinho optou por conservar duas turmas, com 240 alunos no total, devido a complicações em realizar processos seletivos online e para manter de forma mais ativa e inclusiva projetos extracurriculares como a tutoria. Esses estudantes têm, ainda, realizado simulados preparatórios através da plataforma do Sistema Anglo e por intermédio de Formulários Google. E, graças a campanha para auxiliar no pagamento da inscrição de vestibulares como Fuvest e Unicamp, um total de 57 alunos que não poderiam pagar as taxas foram beneficiados e farão as provas.

Em 2020, o Cursinho fechou algumas parcerias e renovou outras. Dentre elas, com a TOELTS (que forneceu bolsas de estudo de cursos de inglês), Panda Books (desconto de 50% em livros da editora), Doutores do Excel (bolsas do curso) e Acquisition Group, que antes financiava o transporte dos estudantes e, neste ano, passou a fornecer chips de internet para alunos e professores. Os coordenadores do Cursinho consideram que a pandemia os trouxe uma maior maturidade para lidar com processos delicados que precisam de respostas rápidas, ressaltando a importância da visão estratégica, capacidade de adaptação e comunicação.

Na Atlética da FEA, as atividades foram paralisadas com o início da quarentena e, em reunião remota, decidiu-se pelo adiamento de campeonatos esportivos. Durante esse período, a área de responsabilidade social da entidade promoveu campanhas contra a LGBTQfobia e o racismo e fez campanhas de arrecadação de cobertores e roupas para populações que se tornaram ainda mais vulneráveis com a pandemia. Letícia Grill, vice-presidente da Atlética, conta que foi necessário um esforço para estruturar melhor comunicação e marketing, se adequar a Lei de Incentivo ao Esporte e fazer com que reuniões periódicas continuassem acontecendo: "A gente teve que se reinventar". Também foram realizadas campanhas de arrecadação de fundos e uma adaptação para o meio online das vendas de produtos, de modo a manter as atividades da entidade.

A Atlética estruturou um projeto de inserção dos calouros, que os permitiu conhecer todas as áreas da entidade de maneira remota e decidirem de qual gostariam de participar. Também foi desenvolvida uma Comissão Anti-Opressão, para atuar em eventos da AAAVC, por meio de da criação de um manual e de um estatuto e da participação de seus membros em uma capacitação e roda de conversa com psicólogo.

   E-Sports

Os times esportivos da FEA promoveram desafios internos com exercícios realizados dentro de casa, realizaram treinos técnicos e táticos e receberam ajuda da Atlética para pagar seus técnicos.

   Xadrez

Dentro dessa dinâmica, os times de E-Sports e xadrez foram alavancados e realizaram-se campeonatos dessas modalidades, devido ao fato de não dependerem de uma dinâmica presencial para ocorrer. Também foi organizado o Interentidades, no qual entidades da FEA competiram em modalidades como Gartic, Stop, mímica ou truco.

Letícia Grill avalia que esse período de quarentena foi capaz de proporcionar novos aprendizados que podem ser utilizados no futuro. Além de plataformas online de organização como o Trello, há agora a possibilidade, mesmo depois da pandemia, de usar o Google Meets para realizar reuniões quando todos os membros da entidade não puderem comparecer presencialmente no mesmo espaço. Ainda, Letícia considera que foi um período de aprendizagem em inovação, resiliência, tirar o melhor de uma situação com aquilo sobre o que de fato tinham controle e não ficar no conformismo.

Gente da FEA - Dezembro de 2020
Autor: João Mello

Data do Conteúdo: 
quinta-feira, 3 Dezembro, 2020

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